Avidya – a verdade sobre a origem do sofrimento

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Uma forma de entender avidya é uma teimosia em ter apego ao apego

Você entende o que quero dizer? 

É uma cegueira funcional, digamos assim.

É uma ação da mente que nos arrasta para o autocentramento e com a qual estamos, em certa medida, viciados em se fixar. A boa notícia é que segundo os ensinamentos da tradição, existem outras formas de operarmos a mente.

Sendo assim, o que nos leva a seguir no apego se a sua resposta usual é algo nocivo, como por exemplo, seguir produzindo as angústia, ressentimento, raiva e dúvida?

Convido você a ter uma curiosidade sobre esse ponto: o que é essa fixação ao apego que me leva pela mão, em direção a incerteza e ao sofrimento? 

Como que a mente se engana e a gente sofre?

Segundo os ensinamentos mais elevados da tradição, nós temos uma essência liberta de todo o engano e confusão, a natureza da mente. É como se  você por se sentir preso(a) ao apego, estivesse inconsciente sobre quem é o que verdadeiramente é.

Essa confusão, o engano sobre quem somos, a cegueira funcional, é chamada de avidya em sânscrito e em tibetano, Ma-rigpa.

vidya é lucidez, clareza, discernimento, visão. “A” significa aqui negação, perda, obscurecimento. Avidya signfica falta de discernimento sobre a verdadeira natureza da mente e seu potencial.

É como se usássemos óculos de realidade aumentada para descrever tudo a nossa volta. Acredito que o Buda usaria esse exemplo em tempos de virtualidade para apontar o estreitamento da mente conceitual.

Na essência do Sutra do Coração da  Prajnaparamita, há um trecho que diz: “Não tem ignorância, mas também não tem extinção da ignorância. Nem os elos subsequentes até a velhice e morte, e a extinção da velhice e da morte.”

Esse trecho corresponde à mente de originação dependente ou 12 elos, a Roda da vida.

O primeiro elo da Roda em movimento é avidya. É como se fosse a chave de ignição de todo o mecanismo de fixação da mente ao sofrimento estrutural, ou seja, como a mente cria as próprias bases para o sofrimento.

O sofrimento é inevitável. A dor é opcional

Quando temos lucidez, a forma como respondemos ao sofrimento muda.

Por exemplo, Tulku Urgyen enquanto estava doente, ficou hospitalizado por um longo período. Ainda assim, ele dizia ao seu assistente que as pessoas poderiam visitá-lo, sem restrições.

Embora acamado, ele tratava  cada visita como um pai olhando para seus filhos e filhas. Em nossa fraqueza emocional, geralmente, queremos sofrer isolados. Desistimos de nós e dos seres. 

Já com a sabedoria em mente, nós temos interesse em estar junto aos seres.

E isso independe das situações.


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Avidya e que fazer com os meus problemas?

Infelizmente, ainda carecemos de um botão mágico que solucione os problemas do samsara

Na verdade, você não precisa resolver as coisas. Nós teremos dificuldades, claro.

O ponto é entender a essência daquilo que chamamos de “sofrimentos e dificuldades”.

Descobrir a nós mesmos além dos 12 elos é entender a saída dos altos e baixos da vida. A nossa visão se amplia, os olhos adoecidos por confusão e dor, por apego e aversão se curam.

O Darma é como um colírio para essa areia do samsara que arranha nossos olhos de sabedoria e nos deixa imóveis diante das situações.

O desafio é manter a inteligência energia autônoma, e praticarmos estabilidade, lucidez e precisão nas diversas situações.

Ajudamos a nós e os outros a desenvolverem clareza sobre a vida.

Ao desmontar avidya, você se encontrará com a sua verdadeira essência. 

Ouça agora “Avidya – a verdade sobre a origem do sofrimento”



Referências



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Sobre o autor

Desde 2011, dedica sua atenção e curiosidade à meditação e a sabedoria milenar do Darma. É aluno de Lama Padma Samten. Praticante no CEBB Recife (PE).

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