Generosidade e moralidade como práticas de lucidez no dia-a-dia

generosidade e moralidade
Tempo estimado de leitura: 3 minutos

Você já se flagrou querendo desenvolver a compaixão, mas algo dentro de você parece contraditório, como um barco sem rumo, em alto mar?

Quando aspiramos desenvolver um coração compassivo, precisaremos ajustar as velas do barco da bodicita, inúmeras vezes. Com o amadurecimento das quatro contemplações que transformam a mente, os locais sutis, internos, que costumamos descrever a nós mesmos e aos outros, como um fracasso, todas essas inseguranças, tudo isso é visto como campos minados de aflição.

A mente comum

O movimento usual da mente ordinária é impreciso, já percebeu isso? Por vezes, parece que estamos nos afogando em nós mesmos e não há propriamente uma explicação para isso. Aparentemente, o oxigênio ao nosso redor se tornou rarefeito. Precisamos de um chão quando tudo parece vago e nebuloso. 

Bodicita em ação

Quando falamos de mudanças, aspiramos pela bodicita. Precisamos também torná-la engajada, em nossas atividades. A bodicita da ação é caracterizada por um conjunto amplo de métodos e ferramentas que reduzem e purificam a nocividade mental e oferecem apoio para nos estimular as qualidades positivas da mente. 

Isso significa incorporar a bodicita em nosso corpo, fala e mente, não apenas como uma ideia, um planejamento ou notas de rodapé, mas como uma espécie de “hemodiálise búdica”, olhando mais de perto para a negatividade, as ações e as sabedorias do coração, para trazer benefício aos seres.

Os mestres enfatizam o reconhecimento da natureza da mente como uma forma segura e lúcida de  agirmos com compaixão, em todas as direções.

Uma maneira ativa de encarar a vida é começar a estabelecer o hábito da meditação e a bodicita como visão. É um compromisso sobre essa descoberta interna, calorosa, em princípio, misteriosa e também sem retorno.

Viver em generosidade e moralidade

Geralmente, o que chamamos de “viver” é basicamente responder aos impulsos contraditórios e teimosos que surgem em nossas mentes e insistem em nos demandar audiência para cá ou para lá. 

Talvez, ao iniciarmos o caminho, entraremos com as mesmas aspirações usuais: desejamos ser alguém diferente de nós mesmos. Vamos lutar para provar isso, nada mais que um malabarismo das identidades.

Temos muito ressentimento em nós e isso reforça o sentimento invasivo de pobreza, um sentimento de vazio, o buraco-negro interior, natural em qualquer uma das seis mentalidades samsáricas. 

Porém, em algum momento, precisamos voltar à tona, a realidade nos convida para dançarmos com as circunstâncias, precisamos lidar com as situações sem escaparmos do momento atual por medo ou aversão. Somos pessoas comuns, leigos, nosso campo de treinamento é o contato nas relações: família, amigos, trabalho, trânsito, boletos e imposto de renda para declarar. 

“Começamos onde estamos!” Essa frase é clichê? Ou simplesmente somos teimosos e previsíveis?

União de meditação e visão

Começamos a meditação shamata para ajudar a dirigir o foco da mente, crucial. Uma vez que a mente se torna dócil e amigável, com a digestão desse processo, podemos olhar mais de perto, para dentro com Prajna.

Reconhecemos outras inteligências — também presentes — mas por vezes, despercebidas em meio a tantas urgências, e respostas, agressivas, inconscientes e responsivas. 

Basta olhar o número de horas, minutos, investidos em uma tela de luz inconstante e aleatória, com o apoio da nossa mente usual. 

6 Paramitas | Uma maneira ativa de encarar a vida

Um método de incorporar nossa mente a partir da bodicita, agirmos como bodisatvas, é a prática das seis perfeições (ou paramitas, em sânscrito). Ela está conectada ao quinto passo do nobre caminho de oito passos e diz respeito a como trazer benefícios aos seres. 

As seis perfeições são: (1) generosidade, (2) moralidade, (3) paciência, (4) energia constante, (5) concentração e (6) sabedoria.

É crucial  a urgência da aplicação desses exercícios de lucidez em nossas vidas. Se houver algum lugar que nunca ouviu falar do termo “bodicita”, aquele lugar é um grande oceano de sofrimento.

Nesse sentindo, entendemos O grande sábio indiano, Shantideva, no Caminho do bodisatva, quando ele diz: 

Enquanto houver o espaço, 

Enquanto houver os seres sencientes,

Possa eu também permanecer 

Para afastar as dores do mundo.”

Ouça agora o podcast “6 Paramitas | Generosidade e moralidade como práticas de lucidez no dia-a-dia”



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Sobre o autor

Desde 2011, dedica sua atenção e curiosidade à meditação e a sabedoria milenar do Darma. É aluno de Lama Padma Samten. Praticante no CEBB Recife (PE).

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