COMO LIDAR COM O DESLUMBRAMENTO NA PRÁTICA ESPIRITUAL?

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Esse deslumbramento pode ter várias origens, pode ser, por exemplo, materialismo espiritual. Mas pode ser o materialismo no sentido de a pessoa achar que atingiu uma realização que ela ainda não atingiu. Quando a nossa prática gera uma exaltação da identidade, isso é materialismo espiritual.

Se a pessoa, por exemplo, faz retiro, ela pode dizer: eu fiz retiro. Se a pessoa fez uma acumulação de recitação de mantras, a pessoa diz: fiz uma acumulação de mantras… De modo geral, eu vi o Chagdud Rinpoche comentando assim: nunca fique falando o que você praticou e o que você não praticou; não fique comentando nem falando. Mas os praticantes, como estão autocentrados, é natural que brote esse impulso de ficar comentando e se comparando uns com os outros.

Tudo isso é materialismo espiritual. Ainda assim, eu acho isso melhor do que a desistência, do que a pessoa dizer: bom, eu não sirvo para praticar, não me convide, nessa vida não tem como… Alguém que acha que está avançando muito não é uma boa coisa, mas pior é desistir, achar que não tem como. A pessoa que acha que está avançando muito rápido logo em seguida vai ter problemas, mas se ela mantiver um nível de otimismo em relação à realização é uma boa coisa.

De modo geral, eu não critico muito o materialismo espiritual, porque, enfim, as pessoas fazem o que elas podem. Se a gente for criticar as pessoas porque não estão no ponto final, não vai sobrar ninguém, porque ninguém está no ponto final, está todo mundo andando. Acho que é possível criticar as pessoas: você virou budista, no entanto, você isso, você aquilo… Com certeza. A pessoa vira budista mas não tem realização ainda. E está tudo bem, é natural.

Eu vi o Dzongsar Rinpoche comentando assim: mesmo os mestres podem aprontar, porque eles não tendo uma realização completa é assim. E isso não quer dizer que os ensinamentos do Buda estejam com algum equívoco. A pessoa está andando, está todo mundo andando, então nós temos equívocos. É assim.

Lama Padma Samten nos ensinamentos  no CEBB Caminho do Meio!

Autor
Coordenador
Praticante budista e instrutor de meditação. Desde 2011 dedica seu tempo à descoberta do coração desperto (bodicita), a partir dos ensinamentos de Buda e nas instruções práticas de Lama Padma Samten. Casado, pai de 2 filhos, é coordenador da Roda do Darma e tutor no CEBB.

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