A temática em que a carência será abordada, diz respeito ao conjunto de ensinamentos chamados de “os quatro pensamentos que transformam a mente”. Alguns mestres e mestras, costumam nomear essa categoria como os quatro pensamentos que direcionam a mente para prática do Darma.
Contemplar é a saída, olhe mais devagar
Precisamos entender que a nossa verdadeira tragédia está associada a incompreensão da realidade como ela é. Nesse sentido, entendemos a urgência de nunca nos afastarmos da compaixão e sabedoria de como o nosso olho brilha para as coisas, dá nascimento as situações. Então, temos o sofrimento e o carma associados a essa estrutura. Mas, também temos a compaixão.
A carência, no budismo, pode ser chamada de o sofrimento do reino dos fantasmas famintos. Reino no sentido de que quando nos esquecemos de quem somos, podemos nos achar o monarca universal desse lugar. Lugar aqui diz respeito a como nos relacionamos com as coisas de maneira despercebida, desatenta, onde a lucidez passa batida.
A carência pode surgir, mas o sofrimento é opcional
Quando estamos carentes, nós passamos a exagerar ou rejeitar as experiências por escassez, cobiça, consumo; basicamente as coisas são vistas como um recurso emocional ou material.
Ao despertarmos compaixão no contato com essa aflição mental, passamos a desarticular essa estrutura arraigada de sofrimento. Nosso corpo, energia, fala e mente, passam a ser um laboratório sobre estarmos conscientes da importância da compaixão nas diversas situações. Desde tomar um copo d´água até passarmos uma sexta-feira inteira amargurados pois não recebemos a mensagem de confirmação de leitura daquela paquera da semana.
Quando somos tomados pela carência, somos atormentados por fome ou sede extremas. Por exemplo,por comida ou bebida. Aparentemente tudo é visto com muita dor e extremamente exaustivo. Embora o ambiente ao redor ofereça possibilidades de oferecimento e fartura interior, apenas conseguimos ver o desagradável. Se há luz do sol, sentimos frio. Se há chuva, reclamamos que está quente.
Nossas percepções são validadas por esse filtro baseado em miséria, vazio interior. Diante da Avareza, é como se sentíssemos machucados por dentro, nos recusamos a sair da camisa de força do sentimento da perda e da falta.
A experiência de escassez e consumo nesse reino é muito intensa. Observe o quanto esse reino sofre quando você mesmo(a) não come ou bebe apenas por um turno. Podemos sentir também avareza e oposição à generosidade dos outros.
Prática como transformar a mente da carência?
- Liste 3 situações relacionadas a esse reino.
- Os seres que aspiram se mover em corpo, fala e mente, a partir da carência, acabam cometendo alguma(s) das dez ações não-virtuosas? Eles estão inconscientes da própria tragédia e se acorrentam ainda mais no sofrimento dessa emoção perturbadora;
- Imagine os seres que neste momento se sentem sufocados por carência seja ela, emocional, material, mental; Observe com cuidado o quanto de dano e perda de tempo quando se sente aqui…
- Contemple a visão de carência e falta de generosidade como justificada, explicada, detalhada, para encontrarmos vítimas e culpados pelos nossos sofrimentos; Apontamos dedos!
- Contemple que é praticamente impossível a própria pessoa praticar a compaixão com a mente blindada nesse reino;
- Observe que sem compaixão e com carência no coração, as situações ou pessoas são vistas como recursos e portanto, devem estar por perto, como chiclete;
- Gere compaixão diante dessa emoção. Aspire consumar a bodicita de forma que possamos nós ser um apoio a todos esses seres, agora ou no futuro;
