Como gerar confiança no Darma? As 4 confianças

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Tempo estimado de leitura: 5 minutos

Confiança. Como podemos como podemos nos sentir seguros e termos certeza de estarmos avançando no Darma, no caminho, no treinamento da mente como algo real e viável?

Dzogchen Ponlop Rinpoche é um renomado professor do Darma, fundador e diretor espiritual de Nalandabodhi, do Instituto Nītārtha de Estudos Superior Budista. Ele também é um dos mais realizados tülkus da linhagem Nyingma e um detentor da linhagem Karma Kagyu.

Com uma fala assertiva, bem-humorada e sensível, ele é calorosamente recebido em todo o mundo; como professor e autor prolífico com uma vasta série de livros e artigos para diversos sites.

A seguir, o autor explica em detalhes as “quatro confianças”, um ensinamento fundamental para quem deseja poupar tempo no caminho e pular possíveis deslizes, cascas de banana que passam despercebidas.

Introdução

Como todos os diversos professores e ensinamentos a que estamos expostos hoje em dia, como sabemos a quem ouvir e em que ensinamentos confiar?

O Buda respondeu à essa pergunta da autoridade espiritual, em um ensinamento que veio a ser chamado de 4 confianças.

Estas 4 confianças podem nos ajudar a desenvolver uma compreensão melhor de como seguir em frente nessa cultura e nos dias de hoje.

Ele disse:

Confie no ensinamento, não na pessoa.

Confie no sentido, não nas palavras.

Confie no sentido definitivo, não no sentido provisório.

Confie na sabedoria, não na consciência.

Devíamos fazer um pôster com essas instruções e pendurar por todo o lado: na nossa sala, no banheiro, nos quartos, no chão e no teto. São realmente importantes.

Quando praticamos essas 4 confianças, podemos ter certeza de que estamos no caminho certo e receberemos o benefício completo dele. 

1) Primeira confiança: confie no ensinamento 

Quando o Buda diz “confie no ensinamento, não na pessoa”, isso significa que não deveríamos nos deixar enganar pelas aparências.

O professor pode ser muito carismático, vir de uma família ilustre, andar de limusine e ter muitos assistentes. Ou, ele pode parecer bem normal e viver em circunstâncias humildes.

Não importa se o professor é asiático ou ocidental, homem ou mulher, jovem ou velho, convencional ou pouco convencional, famoso ou desconhecido, podemos julgar o quão qualificado e confiável esse professor é ao observar a qualidade e a eficácia de suas instruções, o seu grau de discernimento e realização, e suas conexões de linhagem.

Isso é importante, porque há muitos professores de valor cuja aparência e estilo de vida não correspondem às expectativas dos alunos. Assim, deveríamos confiar mais no ensinamento do que naquilo que pensamos ou sentimos sobre a pessoa que nos concede.

2) Segunda confiança: confie no sentido 

Aqui a mensagem do Buda, “confie no sentido, não nas palavras”, é de que devemos buscar orientação no sentido do que está sendo dito e não apenas em nossa compreensão conceitual das palavras.

O sentido é carregado pelas palavras, mas não está nas palavras. Se nos prendemos no nível das palavras, podemos achar que a nossa compreensão intelectual é definitiva, uma experiência verdadeira de realização.

Mas deveríamos entender que as palavras são como o dedo que aponta para lua. Se olhamos apenas para o dedo, ficamos no nível dos conceitos.

Só compreenderemos totalmente o sentido das palavras quando pararmos de olhar para o dedo e nos voltarmos na direção da lua.

Fazemos isso ao refletir profundamente sobre o que ouvimos, até que as nossas reflexões nos levem além das palavras, para uma experiência mais direta e pessoal de seu sentido. Você só saberá o que é o chá Earl Grey bebendo da xícara. Você só conhecerá a vacuidade ao descobrir a experiência em você mesmo.  

3) Terceira confiança: confie no sentido definitivo 

Com “confie no sentido definitivo, não no sentido provisório”, Buda está apontando que precisamos conhecer não só o sentido das palavras, mas também quando um sentido é “definitivo” e quando ele é “provisório”.

Esse é outro jeito de dizer que alguns sentidos são ultimos e outros são relativos. Um sentido último é final e completo – é assim que ele realmente é, e não há nada mais a dizer sobre o assunto.

Um sentido relativo pode ser uma compreensão importante ou poderosa, mas não é final e nem completa: é algo que nos leva adiante.

Aprendemos muitas verdades relativas em nosso caminho para a compreensão da verdade última. Por exemplo, quando Buda ensinou a verdade do sofrimento, isso ajudou a conduzir as pessoas ao caminho que as libertou do sofrimento.

Porém, a própria natureza do sofrimento é relativa. Não existe na natureza definitiva da mente. O que existe é ausência de eu, compaixão, alegria, estado desperto, assim por diante. Essa é a natureza última da mente.

Na terceira confiança, Buda está dizendo para confiarmos nos sentidos que são definitivos ou últimos. Se assumirmos a crença no sofrimento como uma verdade última, nunca vivenciaremos a alegria de sermos livres do sofrimento. 

4) Quarta confiança: confie na sabedoria

Aqui Buda está dizendo que, de forma a vivenciar diretamente e compreender o sentido último, definitivo, de que estamos falando, precisamos confiar na sabedoria – a capacidade a mente de conhecer de uma forma não conceitual – e não em nossa consciência dualista.

Quando dizemos “consciência”, estamos falando da mente relativa: as aparências das cinco percepções dos sentidos e da mente conceitual, pensadora. Qual é a relação dessas aparências com a sabedoria? Elas são a manifestação e o jogo da própria sabedoria.

Por mais nítidas que pareçam, essas aparências não têm existência sólida. Porém, até que reconheçamos isso, pode ser difícil ver a sabedoria inerente em todas as nossas experiências, especialmente em nossos pensamentos e emoções. 

Como praticamos essa confiança?

Então, como praticamos essa confiança? Uma vez que isso seja compreendido intelectualmente, precisamos desenvolver mais confiança nessa compreensão, e torná-la parte de nossa experiência comum.

Por exemplo, quando um pensamento surge, nos lembramos de que é apenas um pensamento. Se é um pensamento raivoso, um desejo de prejudicar alguém, podemos usar esse pensamento para nos conectar com a sabedoria, primeiramente em um nível relativo.

Se misturarmos a nossa raiva com o pensamento de compaixão, isso muda o sinal que estamos enviando de maneira fundamental. Esse movimento nos traz uma sensação de abertura e conexão de coração que pode nos permitir um melhor relacionamento no futuro.

Então, até que sejamos capazes de nos conectar com a sabedoria última, é importante lembrarmo-nos de nos conectar com as qualidades da sabedoria relativa – um sentido simples de abertura e compaixão por nós mesmos e pelos outros. Quando fazemos isso, estamos confiando na sabedoria e não na consciência.

Examinando essas 4 confianças, torna-se claro que, através delas, Buda está nos mostrando como sermos autônomos e discriminadores, e como evitar confundir uma autoridade inferior e uma superior.

Todas as confianças apontam para a natureza confiável de nossa inteligência e para nossa capacidade para reconhecer a verdade. Podemos também ver que Buda está dizendo que o guia definitivo para o nosso caminho é a sabedoria, e não um conjunto fixo de formas culturais, rituais ou práticas. 


Fonte: Dzogchen Ponlop em Buda Rebelde – na rota da liberdade, p. 168 – 170

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Continue a leitura do livro Buda rebelde – Na rota da liberdade.”

Buda Rebelde

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Author Details

Ajudo pessoas a partir do Darma a se tornarem responsáveis por seus mundos internos. Desse modo, facilito a harmonia individual, familiar e social. Aluno de Lama Padma Samten desde 2011. Tutor no CEBB.

1 comentário em “Como gerar confiança no Darma? As 4 confianças

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