3 formas simples de se concentrar com a meditação

concentrar-meditação
Tempo estimado de leitura: 4 minutos

Segundo os ensinamentos, o modo como agimos ou reagimos diante das situações, diz respeito ao que está sendo cultivado em nossa mente.

Na visão budista, nós podemos seguir desenfreadamente, capotando em cima desses pensamentos e emoções. 

Nesse sentido, precisamos urgentemente recuperar a capacidade de dirigir a própria mente. 

Se olharmos com cuidado, o processo de pensar, ter ideias, expandir e se expressar nas relações,  pode seguir independente da nossa vontade.

A ideia inicial, a descrição que discorremos de nós, a cada momento, parece estar fora do nosso alcance. Somos ou acreditamos que somos, algo que não é. Pois, estamos sempre em mudanças externas e internas.  

Para se concentrar, você precisa estar distraído.

Segundo os ensinamentos, nós sempre temos uma opção diante desse movimento desenfreado de emoções e pensamentos neuróticos que nos mantém em uma espécie de déjà-vu na relação com as coisas e pessoas. 

Ao despertarmos e cultivarmos as qualidades mais abrangentes como sabedoria compaixão, podemos nos reapropriar das nossas vidas. Ao invés de seguir na gangorra gosto ou não gosto. Isso não leva ninguém a lugar nenhum.

Se você chegar à conclusão de que vai trabalhar ou amar a sua esposa/marido, a partir de gosto ou não gosto, e que isso é completamente incerto, já é um bom avanço na questão de olhar a vida com lentes diferentes das do sofrimento.

A quinta paramita (das seis paramitas), diana em sânscrito, samten em tibetano, corresponde a essa atitude ou o cultivo da concentração consciente como uma ponte necessária à etapa seguinte, Prajnaparamita.

As paramitas são o solo da prática do bodisatva. Sem elas, é quase impossível ajudarmos verdadeiramente os seres a se tornarem autônomos de suas aflições mentais.

Dzongsar Khyentse afirma a importância das paramitas com o seguinte trecho:

“Os termos paramita e parami (sânscrito e páli, respectivamente) significam”perfeito “ ou”perfeição “.

No budismo, as paramitas se referem à perfeição ou culminação de certas virtudes, que purificam o carma e nos ajudam a viver uma vida desobstruída no caminho à iluminação.

As seis perfeições também são uma parte importante do caminho do bodisatva no Budismo Mahayana. Neste caminho, motivado por grande compaixão, o aspirante prorroga a sua iluminação para beneficiar todos os seres.”

Dicas rápidas para sentar em meditação e se observar e se concentrar. 

Existem muitas definições e práticas de meditação em evidência, atualmente. O próprio Buda histórico, o Buda Shakiamuni, ensinou em torno de 40 meditações. 

Aqui, vamos usar como ferramenta de treinamento da mente, a prática de shamata com foco nos cinco elementos. 

A seguir, temos algumas dicas e benefícios naturais de quando começamos a meditar.

  1. Shamata nos ajuda a acalmar o corpo e a mente. Tornamos a mente pacífica, tranquila e focada, quando estamos cientes das distrações e relaxamos, não nos identificamos com os impulsos; 
  2. Os resultados diretos dessa prática é a capacidade de estar consciente, “vendo de fora”, sem sermos raptados pelos julgamentos, preconceitos e emoções conflitantes que surgem na mente. 
  3. A preparação do lugar externo é um eco do lugar interno:
    • Cuidamos do corpo em sete pontos — pernas, base, lombar, coluna, cervical, olhos e assim por diante;
    • Geralmente, começamos com atenção em um foco externo e sem ter algum apelo emocional a nossa mente. Costumo indicar a própria respiração;
    • Com o tempo, jogamos luz em nossa mente e percebemos a intimidade que movimenta o corpo, a energia e a mente. A respiração reflete as nossas ideias e emoções;
    • Shamata amplia a capacidade de estar consciente das flutuações internas sem se fixar a elas; 
    • Daí, surge naturalmente: clareza mental, estabilidade e relaxamento;
    • Se você observar e relaxar, começará a ver um ponto comum em estarmos tensos ou ansiosos. Ou seja, isso significa que a mente usual está tentando controlar (desejar/evitar) a situação; 
  4. Pela motivação pura, as qualidades excelentes de sabedoria surgem naturalmente — quatro incomensuráveis e seis perfeições;
  5. Por fim, reduza a necessidade da dependência de energia nas atividades infindáveis do samsara — reconheça os quatro pensamentos que transformam a mente ao seu alcance.


Inscreva-se para receber os informativos gratuitos da Roda do Darma por e-mail .



Três formas simples de se concentrar com a meditação:

Quanto as categorias de concentração, temos: 

  1. A concentração dos seres comuns (como nós! 😉 ) — a prática é influenciada pelo resultado de ser ter experiências de clareza, bem-estar e ausência de pensamentos. Evitamos o que é negativo e cultivamos paz interior;
  2. A concentração que discerne o que surge com clareza — não temos uma motivação de buscar uma meta específica na meditação, mas ainda caímos em estados ordinários como aqui e acolá, a vacuidade mal-humorada e o samsara pode retornar.
  3. A concentração excelente dos tatagatas — permanecemos concentrados em um estado livre de pensamentos, na natureza da realidade. 

Para finalizar, deixo a citação do grande mestre indiano, Shantideva sobre o tema. Se concentrar não é sobre ficar sem pensamentos ou ficar “zen”, é sobre estar consciente, presente sem ser carregado pela fixação e apego. 

“Para abolir os véus do obscurecimento, 

Desviarei minha mente do caminho errado;

E, sobre este objeto perfeito,

Constantemente a repousarei em estado de equilíbrio e meditação“

Ouça agora o PODCAST – 3 formas simples de se concentrar com a meditação



Referências 



Participe!

Sobre o autor

Desde 2011, dedica sua atenção e curiosidade à meditação e a sabedoria milenar do Darma. É aluno de Lama Padma Samten. Praticante no CEBB Recife (PE).

1 comentário em “3 formas simples de se concentrar com a meditação

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *