22 | Como ter equanimidade no doce e amargo das relações?

Como ter equanimidade no doce e amargo das relações?
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Enfim, relações. Precisamos conversar sobre esse tema. Quando apontamos o dedo para justificar alguém como desagradável, tomamos um veneno silencioso. Surge em nós um amargor, perdemos a alegria, ser preenchidos por ela e por outras qualidades. Agora, estamos ocupados sem digerir bem o incômodo em relação ao outro.  Ora, se a mera presença nos abala, estamos ferrados! O outro segue e aquilo fica, em nós.

Como podemos fazer diferente nas relações?

Revemos nossa compaixão. Simples. Ela pode estar inflamada – apenas queremos que o nosso apego e aversão sejam mantidos, com uma revisão mensal, sem muito compromisso. Mas, já vimos que por apego não funcionará.  

O alicerce fundamental do budismo é a compaixão. E isso diz respeito a entender e erradicar as causas do sofrimento. Em tempos de escuridão mental, de modo geral, estamos cegos quanto ao impacto propriamente das nossas ações. 

S.S O Dalai Lama enfatiza sempre: “Todos os seres aspiram à felicidade e desejam se livrar do sofrimento.” Mas, devido a ignorância, criam condições que perpetuam o seu sofrimento. Eles estão inconscientes das suas ações e consequências. E assim, se movem sem rumo. Por exemplo, se você falar em compaixão, é considerado alguém fora de moda, digamos assim.

Cuide-se: como cultivar equanimidade nas relações?

Então, ao sentarmos para meditar, se formos estudar algum tópico dos ensinamentos, esse ato é muito auspicioso. Dzongzar Khyentse vai dizer: “Que mérito ouvir algo sobre bodicita.” Então, até mesmo um ato simples como tirar um cochilo depois do almoço, que seja de benefício aos seres! Parece uma brincadeira ou algo sem sentido, mas sair um pouco do autocentramento, é o atalho. Se tivermos, claro, dispostos a pensar um pouco fora da bolha. 

Se a pessoa já puder entrar no caminho do Darma, com a experimentação do Mahayana, que é o grande veículo, esse desejo sincero, é o grande truque. A representação engajada feminina do budismo tibetano, a grande mestra Tenzin Palmo, chama essa atitude de bom senso iluminado. Embora tenhamos a motivação correta, esta precisa ser internalizada a ponto de criar um espaço interno na mente, a sensação de abertura, uma desenvoltura mais ampla para lidar diante das situações. Somos sempre demandados a ter uma certa ação. Não é verdade?

Equanimidade como antítodo nas relações doces e salgadas

Uma das diversas maneiras de se engajar no treinamento da mente é começar pelas quatro qualidades incomensuráveis. São elas: compaixão, amor, alegria e equanimidade.

Elas são qualidades sutis ou seja, não podem ser encaixadas dentro de um sistema de medidas, são internas, brotam do coração da experiência, por bodicita. Não tem como colocar dentro de uma amostra e levar para um laboratório ou precificar e colocar na prateleira, temos que estar abertos para isso. 

Ouça agora “Como ter equanimidade no doce e amargo das relações?”

Nesse encontro, vemos os bastidores da vida: ela sempre oferece outros recursos de relação como compaixão, amor, alegria e equanimidade. As pessoas entram e saem nas nossas vidas mas a relação segue pois ela se dá no campo sutil e não pela resolução. 

Apresentamos as quatro incomensuráveis. Como podemos melhorar nossa energia e mente para benefício dos seres? A vida dá abertura para ser experimentada a partir desse conjunto de inteligências. 



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Se está com dificuldades em praticar sozinho(a), de filtrar o excesso de conteúdo e livros disponíveis, se deseja ir além das notas de rodapé e anotações em cadernos póstumos, somos um grupo de estudos e meditação online.

Girar a Roda do Darma é colocar os ensinamentos em prática, na vida. De maneira descomplicada, nos encontramos semanalmente para olharmos mais de perto para nossa mente e as formas de se relacionar a partir da compaixão.

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Sobre o autor

Desde 2011, dedica sua atenção e curiosidade à meditação e a sabedoria milenar do Darma. É aluno de Lama Padma Samten. Praticante no CEBB Recife (PE).

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